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| Alois Hitler |
Alois Hitler, nascido Aloys Schicklgruber (Waldviertel, 7 de Junho de 1837 — Linz, 3 de Janeiro de 1903), foi o pai de Adolf Hitler.
Alois Schickgruber nasceu numa aldeia localizada no noroeste da Áustria. Uma
região de morros e bosques com poucos recursos econômicos. Filho ilegítimo de Maria Anna Schicklgruber, com 41 anos de
idade, sua mãe era filha de Johann Schicklgruber, um pobre e pequeno camponês
proprietário de terra. Alois, como outros membros de sua família, não possuíam
estudos, ocasionalmente pela falta de recursos econômicos.
Na
busca de uma melhoria em sua qualidade de vida, Alois com 18 anos de idade, em
1855, passou a trabalhar no Ministério das Finanças austríaco. Mesmo não
possuindo um cargo privilegiado, iniciou os estudos, na perspectiva de
conseguir aprovação em um concurso público. No ano de 1861, após sua aprovação
em um exame, foi nomeado supervisor em um posto alfandegário, e após três anos,
foi promovido agente alfandegário.
Inícios de carreira
Alois foi guarda de alfândegas,
profissão semi-militar. O emprego envolvia frequentes mudanças de domicílio e
ele serviu numa variedade de lugares por toda a Áustria. Em 1860,
após 5 anos de serviço, ele obteve o grau de Finanzwach Oberaufseher, quando servia na
cidade de Wels, Áustria. Em 1864, após treino especial e
exames, progrediu outra vez, e servia agora em Linz, Áustria. Em 1875 era
inspector da alfândega, emBraunau
am Inn.
Enquanto que sua vida profissional
obedeceu a regras tradicionais, sua vida privada parece ter sido uma sucessão
de paródias às convenções e normas sociais no que diz respeito a mulheres e
descendência.
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| Alois Hitler |
Nos finais da década
de 1860, ele foi o pai de uma criança ilegítima, de uma mulher
chamada Thelka, quando casou pela primeira vez, em 1873, e parece ter sido por
dinheiro. Anna Glassl era filha de um
oficial, rica, de 50 anos de idade. Anna estava doente quando Alois casou com
ela e era inválida ou tornou-se inválida pouco depois.
Mudança de nome para Alois Hitler
O historiador Ian Kershaw afirma: "O primeiro de muitos golpes de sorte para Adolf Hitler
teve lugar 13 anos antes de ter nascido. Em 1876, o homem que seria o seu pai,
mudou o nome de Alois Schicklgruber para Alois Hitler. Podemos tomar a
afirmação de Adolf como sincera quando ele disse que "nada que o seu pai
tinha feito lhe agradara tanto como a decisão de abandonar o sobrenome rústico
e grosseiro de Schicklgruber. Certamente, a saudação 'Heil Schicklgruber' não
teria sido tomada para um herói nacional" (Kershaw, p. 3).
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| Johann Georg Hiedler |
Como jovem oficial em ascensão nas
alfândegas, Alois usou o seu nome de nascimento. No entanto, no Verão de 1876,
com quarenta anos de idade e bem estabelecido na sua carreira, ele pediu
permissão para usar o nome do seu padrasto, agora morto.
Ele compareceu perante o padre da
paróquia de Döllersheim e afirmou que o seu pai tinha sido Johann
Georg Hiedler, que tinha casado com a sua mãe (Alois deu
deliberadamente ao padre a impressão de que Georg ainda estava vivo e que tinha
agora o desejo de o legitimar). Três familiares compareceram como testemunhas,
um deles sendo Johann Nepomuk, o genro de Hiedler. O padre concordou em amendar
os registos, as autoridades civis deram automaticamente vazão à decisão da
igreja e assim Alois tinha um novo nome. A mudança oficial, registada na
conservatória do registo civil em Mistelbach em 6 de janeiro de 1877 transformou "Aloys Schicklgruber" em
"Alois Hitler." Não se conhece quem terá decidido o uso da pronúncia
de Hitler em vez de Hiedler. Pode ter sido do
funcionário em Mistelbach. As pronúncias ainda estavam a ser padronizadas
naquela altura...
Quem foi o verdadeiro pai de Alois
·
Johann
Georg Hiedler, que na sua vida foi padrasto e legalmente considerado
pai, já muito depois de ter falecido.
·
Johann Nepomuk Hiedler, o irmão de Georg e
tio-padrasto de Alois, que educou Alois até à adolescência e mais tarde
deixou-lhe uma porção considerável das suas poupanças mas que (se foi o
verdadeiro pai) nunca achou conveniente admiti-lo publicamente.
·
O filho de Leopold Frankenberger, afirmou, segundo Hans Frank ter sido pai de Alois quando a mãe Maria trabalhava como criada na casa
de Frankenberger em Graz, Áustria.
Johann Georg Hiedler?
A versão oficial pode ser verdadeira,
e o pai de Alois pode ter sido Johann Georg Hiedler. Uma explicação para o
facto de Alois ter sido enviado para viver com o seu tio é o facto de Georg e
Maria terem sido demasiado pobres para o criar, ou não o podiam criar tão bem
como o tio, ou talvez a saúde de Maria estivesse em declínio (ela morreu quando
ele tinha 10 anos). Inexplicável é porque Georg e Maria não declararam Alois
como seu filho legítimo após o seu casamento, ou porque é que Georg morreu sem
ter legitimado o seu filho e perpetuado a sua linha da família.
Johann Nepomuk Hiedler?
Maser sugeriu que o pai de Alois era
o irmão de Georg, Johann Nepomuk, um lavrador casado que tinha tido um caso e
depois arranjou que o irmão solteiro Georg casasse com a mãe de Alois, Maria a
fim de providenciar um disfarce para o desejo de Nepomuk de assistir e cuidar
de Alois sem transtornar a mulher. Esta teoria assume que Georg estava disposto
a casar com Maria e o biógrafo de Hitler J. Fest acha a teoria demasiado
improvável.
Filho de Frankenberger?
Pouco depois de Adolf Hitler se ter
tornado politicamente activo, na década de 1920, que surgiram rumores de que
ele teria antepassados judeus. Os seus oponentes descobriram que o seu pai não
se chamava originalmente Hitler e ninguém parecia saber quem tinha sido o seu
avô paternal.
Himmler ordenou que a Gestapo investigasse o caso em 1942 e diz-se que eles não descobriram nada. Em Mein Kampf, Hitler
afirma que o seu avô paternal foi um "pobre lavrador" e escreve
implicitamente como um alemão (Os Hiedler eram originalmente alemães).
Para historiadores, a questão da
ascendência judaica de Hitler centra-se à volta de afirmações feitas após a guerra
por Hans Frank, que em
confissão a um padre enquanto aguardava a execução disse que após Hitler lhe
ter ordenado que investigasse, ele descobriu que a avó de Maria tinha trabalhado
como criada em Graz para um judeu rico
chamado Leopold Frankenberger. Frank afirmou que Maria
ficou grávida e regressou à vila natal de Strones para ter o bebé. Os
testemunhos de Frank foram tomados por verdadeiros nos anos 50, mas na década
de 1990 a tese é geralmente considerada como dúbia por historiadores. Ian Kershaw afirma que se trata de "difamação" por parte dos opositores de
Hitler, notando que todos os judeus tinham sido expelidos de Graz no século XV
e não tinham podido regressar até à década de 1860. Também não há quaisquer
provas de que Maria Schicklgruber alguma vez tenha vivido em Graz. Joachim Fest vai além, descartando totamente a hipótese.
Foi por dinheiro que ele mudou de nome
A questão de saber qual dos dois
irmãos Hiedler foi pai de Alois terá pouco interesse histórico, mas pode ter
consequências ao tornar os antepassados de Adolf Hitler mais incestuosos, uma
vez que a avó da sua mãe Klara Pölzl era uma Nepomuk.
Historidores especularam que Alois
pode ter mudado de nome pelo dinheiro. Johann Nepomuk Hiedler pode ter
prometido deixar-lhe uma herança caso ele mudasse o nome para Hiedler e desse
continuação ao nome da família. Seis meses após a morte de Nepomuk, Alois fez
uma compra de imobiliário que é inconsistente com o salário de um oficial das
alfândegas com uma mulher grávida.
Maser reporta que em 1876 Franz
Schicklgruber, o administrador do imobiliário da mãe de Alois, transferiu uma
grande soma de dinheiro (230 gulden) para Alois. Maser afirma que esta
transferência estava ligada com uma decisão de família envolvendo a mudança de
nome de Alois de Schicklgruber para Hitler, de acordo com o desejo da sua mãe quando ela morreu em 1847.
Vergonha parece não ter tido qualquer
papel. Smith afirma que Alois admitiu abertamente ter nascido fora de
casamento, antes e depois da mudança de nome. Ele não estava impedido por causa
do nome. O factor que o limitava era a educação. Como inspector das finanças
ele não podia progredir na carreira porque lhe faltavam os graus escolares.
Meados da carreira
Em 1876, três anos após Alois ter
casado com sua primeira mulher, ele contratou Klara Pölzl como criada doméstica. Ela tinha 16 anos de idade e era a neta do
tio-padrasto de Alois (ou pai) Nepomuk. Com a mudança de nome de Alois, Klara
era oficialmente sua prima de segundo grau: Se Nepomuk era o pai de Alois,
então Klara era a semi-sobrinha de Alois. Pouco tempo depois, ele teve um caso
com Franziska "Franni" Matzelberger, de dezenove anos de idade, uma
das jovens empregadas na pousada Braunau inn (Pommer Inn, casa #219) onde ele
alugava o andar do topo, como alojamento.
Smith afirma que Alois teve numerosos
romances na década de 1870, o que teve como consequência que a sua mulher
doente, Anna, tenha iniciado uma acção legal procurando a separação. Em 7 de
novembro de 1880 Alois e Anna separaram-se
por acordo mútuo. Franziska tornou-se a namorada de Alois (então com 43 anos de
idade) mas os dois não podiam casar de acordo com a lei da Igreja católica - o divórcio não era permitido. Entretanto, Franziska exigiu que a "criada"
Klara encontrasse outro emprego e Alois enviou a sua prima Klara embora.
Franziska, mesmo não oficialmente
esposa de Alois, conseguiu obter esse estatuto. Em janeiro de 1882 ela deu à luz um filho ilegítimo de Alois, também chamado de Alois, mas
uma vez que eles não eram casados, o apelido da criança foi o de Franziska, o
que o fez chamar-se "Alois Matzelberger." Franziska teve mais sorte
(talvez fosse mais bonita) do que a amante que Alois previamente tinha
engravidado, ou talvez esse outro bebé tivesse sido uma rapariga. Por qualquer
que tenha sido a razão, Alois manteve Franziska como sua esposa, ao mesmo tempo
que a sua mulher oficial se tornava ainda mais doente. Morreu pouco depois de
um ano após o nascimento da criança de Franziska.
No mês seguinte, numa cerimónia em
Braunau, com os seus colegas da alfândega como testemunhas, Alois Hitler, com
45 anos de idade, casou com Franziska Matzelberger, de 21 e esperando um
segundo filho. Foi então que ele legitimou o seu filho como Alois
Hitler.
Fins de carreira
Alois estava seguro na sua profissão,
já não o homem ambicioso de outrora. Alan Bullock descreveu Alois como homem "duro, antipático, e mal-humorado".
Franziska, por razões que se desconhece, foi para Viena para dar à luz Angela
Hitler. Foi então que ocorreu a tragédia. Franni, ainda nos seus 23
anos de idade, adoeceu com problemas nos pulmões e ficou inválida. Foi levada
para Ranshofen, uma pequena vila perto de Braunau. Sem ninguém que tomasse
conta das crianças, Alois chama de volta Klara Pölzl, a rival
de Franni. Franziska morreu em Ranshofen a 10 de agosto de 1884 com a idade de 23.
Sua morte parece não ter afectado
Alois de nenhuma forma. Ele substituiu-a por Klara, que já estava grávida (ou
prestes a estar) na altura. Smith escreve que se Alois tivesse sido livre de
fazer o que queria, ele teria casado com Klara imediatamente mas de acordo com
o seu certificado de paternidade, Alois era agora legalmente primo em segundo
grau de Klara, demasiado próximo para casar. Ele submeteu um apelo à igreja
para uma concessão humanitária, não mencionando que Klara já estava grávida.
Alois estava imune àquilo que o povo
local podia pensar, já que o seu salário vinha do ministério das finanças.
Provavelmente ele teria mantido Klara como sua "criada" se a
permissão fosse recusada. No entanto, a permissão chegou, e a 7 de Janeiro de 1885, foi celebrado um casamento pela manhã, nos quartos alugados no
andar de topo do Pommer Inn. Foi servida uma refeição para os poucos convidados
e testemunhas e então, com a insensibilidade do costume, Alois foi trabalhar
como em qualquer outro dia. Klara ficou envergonhada, dizendo mais tarde, em
exagero, que a coisa tinha sido feita em menos de uma hora apenas.
A 17 de maio de 1885, cinco meses
após o casamento, Klara deu à luz sua primeira criança, Gustav. Um ano mais
tarde, a 25 de setembro de 1886 ela deu à luz uma
segunda criança, uma filha, Ida. Seguiu-se um filho, chamado Otto, em 1887, mas
ele morreu pouco depois do nascimento. Mais tarde, Gustav e Ida morreram de difteria. Klara já
era mulher de Alois há três anos, mas todos os seus filhos estavam mortos,
enquanto que Alois ainda tinha os filhos da sua relação com Franziska: Alois Jr
e Angela.
A 20 de Abril de 1889 ele deu à luz um
outro filho, Adolf. Ele foi uma
criança doente e Klara receava muito por ele. Alois tinha pouco interesse na
educação de crianças e deixou-o ao cuidado de Klara. Quando não trabalhava, ele
ia para a taverna ou estava ocupado com o seu hobby: mantinha abelhas. Diz-se
que ele se comportava como um tirano, em casa. Se ele estava de mau humor ele
pegava-se com as crianças mais velhas ou a própria Klara, abusando dela em frente
das crianças. Usava sobretudo a sua voz para a ferir e humilhar, mas não se
coibia de lhe bater ou espancar.
Em 1892, Alois foi transferido de
Braunau para Passau. Ele tinha 55
anos de idade, Klara tinha 32, Alois Junior tinha 10, Angela tinha 9 e o
pequeno Adolf tinha 3 anos de idade. Em 1894 Alois foi re-alocado para Linz. Klara tinha
acabado de dar à luz Edmund pelo que foi decidido que ela e as crianças
ficassem em Passau, provisoriamente.
Reforma
Em fevereiro de 1895, Alois comprou
uma casa com lote de nove acres (36,000 m²) em Hafeld, perto de Lambach,
aproximadamente a 50 km a sudoeste de Linz. A quinta foi chamada de Rauscher Gut. Alois tinha a fantasia de que iria passar a reforma como um
"nobre com terras", cedendo ao desejo de manter abelhas e viver uma
vida rural fácil. Ele trouxe a família para a quinta e reformou-se a 25 de
junho de 1895, com a idade de 58, após 40 anos nos serviços aduaneiros.
A vida de funcionário público tinha
feito Alois esquecer como é a vida de um lavrador. Alois achou que os nove
acres (36,000 m²) lhe davam mais trabalho do que esperava. Já não o
queria. A terra permaneceu por cultivar e o valor da propriedade declinou.
Longe de ser o sonho da reforma, o Rauscher Gut foi um pesadelo financeiramente ruinoso.
Entretanto, a família continuava a
crescer. A 21 de janeiro de 1896 nasceu Paula Hitler (foi a última criança de Klara e Alois). Sem um posto de trabalho para
onde se pudesse retirar, Alois passava agora muito tempo com a família. Ele
tinha 5 crianças, desde uma bebé até aos 14 anos, e a vida diária irritava-o.
Smith sugere que ele gritava com as crianças quase continuamente e fazia longas
visitas à taverna local, onde ele começou a beber mais do que o costume.
Alois e seu filho mais velho Alois Jr
tiveram uma violenta disputa. Alois Jr. deixou a casa para sempre e o pai jurou
que jamais daria ao rapaz um tostão de herança a mais do que o requerido por
lei.
Edmundo, o mais novo dos rapazes,
morreu de sarampo a 2 de Fevereiro de 1900. Se houvesse alguma herança, ela caberia
a Adolf. Alois queria que o filho seguisse as suas pisadas e procurasse uma
carreira como funcionário público. Adolf estava tão alienado do seu pai que ele
sentia repulsa por tudo o que Alois quisesse. O seu pai glorificava a carreira
de funcionário público enquanto que Adolf desprezava a ideia de uma vida
passada a implementar regras tacanhas. Alois tentou amedrontar o seu filho a
obedecer-lhe, enquanto que Adolf fazia o seu melhor para contrariar tudo aquilo
que o pai queria. Alois queria que ele fosse um funcionário público prático,
não-religioso, não-político, sensível, realista, estável. Adolf tornou-se
boêmio, romântico, idealista e em certos pontos fantasioso, tendo idealizado
primeiro ser padre e depois artista.
Morte


