Aproveitando
a Era Dilma, vamos relembrar um ato histórico ocorrido no seculo XX
Numa decisão inédita no País, deputados aprovaram pedido de julgamento do presidente Collor Fora. Em apenas duas palavras, o Estadão resumiu na manchete do dia 30 de setembro de 1992 a sessão da Câmara que mudou a história do País. Em votação aberta e nominal, 411 deputados disseram sim pela autorização da Câmara para que o Senado desse início ao processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello. Na capa do jornal a lista completa de todos os votos.
Nada
ficou de fora da cobertura, do clima do plenário a repercussões, análises e
cronologias. O leitor recebeu uma edição de 56 páginas,
sendo 21 dedicadas ao assunto, além do caderno especial de 20 páginas, “A
história do governo que acabou”.
Caras pintadas. A pressão popular, como a de milhares de caras pintadas
gritando “Fora, Collor” na avenida Paulista, foi determinante. Manifestações frequentes demonstravam o sentimento
de indignação em relação às denúncias feitas, em maio daquele ano, pelo irmão
caçula do presidente, Pedro Collor de Mello. Segundo ele, Paulo César Farias, o
PC, amigo de Fernando Collor e ex-tesoureiro de sua campanha eleitoral,
comandava esquema de corrupção dentro do governo.
Votação. Transmitida ao vivo pelas emissoras de televisão, a
sessão da Câmara que aprovou a abertura de processo de impeachment teve votação
aberta e nominal. O plenário, de pé, cantou o hino da Independência. Em São Paulo e outras cidades, a votação foi
seguida nas ruas.
Em dezembro de 1994,
o plenário do Supremo julgou a ação penal aberta contra o ex-presidente e,
apesar da pressão política e popular, absolveu Collor da acusação de corrupção
passiva por suposto envolvimento com o chamado esquema PC Farias. Os ministros
que integravam o STF na época consideraram que não existiam provas suficientes
para comprovar a participação do ex-presidente na suposta corrupção passiva.
Tentativas frustadas. Em 1994, tentou registro para disputar novamente a
Presidência, sem sucesso. Quatro anos depois, em 1998, foi impedido pelo TSE de
concorrer à presidência. Em 2000, tentando apostar em uma brecha na lei – a
punição vencia naquele ano –, veio a São Paulo disputar a Prefeitura pelo PRTB.
Chegou a participar de debates, mas teve candidatura negada
pela Justiça Eleitoral.
Linha do Tempo - Relembre títulos marcantes, a denúncia, os protestos e a renúncia:
15/3/1990 - Primeiro dia
Fernando Collor de Mello, eleito por 35 milhões de votos, assume a Presidência
“Começa hoje seu governo de 1.753 dias”
13/5/1992 - Denúncia
Pedro Collor, irmão do presidente, denuncia o advogado e ex-tesoureiro da
campanha de Collor, PC Farias
“Pedido de abertura de processo para
descobrir origem da fortuna de PC”
24/5/1992 - Acusações levianas
Pedro Collor repete acusações ao irmão e PC e presidente o interpela na Justiça
“A economia brasileira não está sujeita a acusações levianas”, disse o
presidente
26/5/1992 - CPI
Congresso instaura Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar denúncias
contra PC
“Oposição vence resistência dos governistas que tentaram impedir a aprovação da
proposta”
1/7/1992 - Motorista e secretária
O motorista Eriberto França confirma denúncias e afirma que as contas da casa
da Dinda são pagas por PC, que repassava o dinheiro à secretária Ana Acioli
“Eu só cumpria ordens”
13/8/1992 - Nas ruas de verde e amarelo
Exaltado, Collor conclama o País a se manifestar contra o impeachment, saindo
às ruas com as cores verde e amarelo
“Saim com alguma peça de roupa com as cores da bandeira”
7/9/1992 - Provas
Polícia tem provas que incriminam Collor
“Disquete de computador e outros documentos ligam ao esquema comandado por PC”
18/9/1992 - Caras-pintada
Em São Paulo, ato pelo impeachment reúne 650 mil pessoas no Vale do Anhangabaú
“Ato pelo impeachment de Collor reuniu
no mesmo palanque políticos, empresários e sindicalistas”
23/9/1992 - Voto aberto
Supremo
Tribunal Federal mantém a decisão da Câmara dos Deputados de voto aberto e
nominal para impeachment
“Governistas
admitem derrota do presidente”
25/9/1992 - PC indiciado
O
ex-tesoureiro de campanha do presidente Collor, PC Farias, é indiciado pela
prática de oito crimes
“Inquérito
a parte investiga as ligações de Collor com as atividades criminosas de PC”
29/09/1992 - Sessão
histórica
Em votação
aberta e nominal, 411 deputados disseram sim pela autorização da Câmara para
que o Senado desse início ao processo de impeachment do presidente Collor. Na
capa do jornal a lista completa de todos os votos. Edição do jornal circulou
com um total de 56 páginas, sendo 21 dedicadas ao assunto, além do caderno
Especial com mais 20 páginas, “A história do governo que acabou”.
2/10/1992 - Promessa
de volta
Collor assina notificação de afastamento do cargo e garante que volta. Itamar Franco assume
“Desejo que este ato seja uma contribuição da nossa geração para o aperfeiçoamento
da democracia”
27/10/1992 - Laudo incriminatório
Laudo policial sobre PC Farias incrimina Collor
“Arquivo do computador do ex-tesoureiro com a senha 'Collor' e manual sobre
corrupção”
10/11/1992 - Acusado
Collor é acusado de 20 crimes
“Presidente tinha relações de 'amante argentina' com PC Farias”
27/11/1992 - Relatório
Relatório contra Collor é aprovado
“Caso do presidente afastado é de corrupção”
27/12/1992 - Manobra fracassada
Ministro Sepúlveda Pertence do STF nega liminar de Collor para adiar data de
julgamento
“Fracassa última manobra de Collor no STF”
29/12/1992 - Renúncia
Collor renuncia. Itamar assume
“Processo para impedir a candidatura
por 8 anos vai para o STJ”
12/12/1994 - Absolvido
STJ absolve Collor e PC
“Por cinco votos a três, Tribunal
concluiu que não há provas de corrupção passiva”
4/8/2000 -
Candidatura negada
Veio a São Paulo disputar a Prefeitura pelo PRTB.
Chegou a participar de debates, mas teve candidatura negada pela Justiça
Eleitoral.
Fonte: Acervo Estadao
Nada ficou de fora da cobertura, do clima do plenário a repercussões, análises e cronologias. O leitor recebeu uma edição de 56 páginas, sendo 21 dedicadas ao assunto, além do caderno especial de 20 páginas, “A história do governo que acabou”.
Caras pintadas. A pressão popular, como a de milhares de caras pintadas gritando “Fora, Collor” na avenida Paulista, foi determinante. Manifestações frequentes demonstravam o sentimento de indignação em relação às denúncias feitas, em maio daquele ano, pelo irmão caçula do presidente, Pedro Collor de Mello. Segundo ele, Paulo César Farias, o PC, amigo de Fernando Collor e ex-tesoureiro de sua campanha eleitoral, comandava esquema de corrupção dentro do governo.
Votação. Transmitida ao vivo pelas emissoras de televisão, a sessão da Câmara que aprovou a abertura de processo de impeachment teve votação aberta e nominal. O plenário, de pé, cantou o hino da Independência. Em São Paulo e outras cidades, a votação foi seguida nas ruas.
Em dezembro de 1994, o plenário do Supremo julgou a ação penal aberta contra o ex-presidente e, apesar da pressão política e popular, absolveu Collor da acusação de corrupção passiva por suposto envolvimento com o chamado esquema PC Farias. Os ministros que integravam o STF na época consideraram que não existiam provas suficientes para comprovar a participação do ex-presidente na suposta corrupção passiva.
Tentativas frustadas. Em 1994, tentou registro para disputar novamente a Presidência, sem sucesso. Quatro anos depois, em 1998, foi impedido pelo TSE de concorrer à presidência. Em 2000, tentando apostar em uma brecha na lei – a punição vencia naquele ano –, veio a São Paulo disputar a Prefeitura pelo PRTB. Chegou a participar de debates, mas teve candidatura negada pela Justiça Eleitoral.
Linha do Tempo - Relembre títulos marcantes, a denúncia, os protestos e a renúncia:
15/3/1990 - Primeiro dia
Fernando Collor de Mello, eleito por 35 milhões de votos, assume a Presidência
13/5/1992 - Denúncia
Pedro Collor, irmão do presidente, denuncia o advogado e ex-tesoureiro da campanha de Collor, PC Farias
24/5/1992 - Acusações levianas
Pedro Collor repete acusações ao irmão e PC e presidente o interpela na Justiça
“A economia brasileira não está sujeita a acusações levianas”, disse o presidente
26/5/1992 - CPI
Congresso instaura Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar denúncias contra PC
“Oposição vence resistência dos governistas que tentaram impedir a aprovação da proposta”
1/7/1992 - Motorista e secretária
O motorista Eriberto França confirma denúncias e afirma que as contas da casa da Dinda são pagas por PC, que repassava o dinheiro à secretária Ana Acioli
“Eu só cumpria ordens”
13/8/1992 - Nas ruas de verde e amarelo
Exaltado, Collor conclama o País a se manifestar contra o impeachment, saindo às ruas com as cores verde e amarelo
“Saim com alguma peça de roupa com as cores da bandeira”
7/9/1992 - Provas
Polícia tem provas que incriminam Collor
“Disquete de computador e outros documentos ligam ao esquema comandado por PC”
18/9/1992 - Caras-pintada
Em São Paulo, ato pelo impeachment reúne 650 mil pessoas no Vale do Anhangabaú
Supremo Tribunal Federal mantém a decisão da Câmara dos Deputados de voto aberto e nominal para impeachment
“Governistas admitem derrota do presidente”
25/9/1992 - PC indiciado
O ex-tesoureiro de campanha do presidente Collor, PC Farias, é indiciado pela prática de oito crimes
“Inquérito a parte investiga as ligações de Collor com as atividades criminosas de PC”
29/09/1992 - Sessão histórica
Em votação aberta e nominal, 411 deputados disseram sim pela autorização da Câmara para que o Senado desse início ao processo de impeachment do presidente Collor. Na capa do jornal a lista completa de todos os votos. Edição do jornal circulou com um total de 56 páginas, sendo 21 dedicadas ao assunto, além do caderno Especial com mais 20 páginas, “A história do governo que acabou”.
Collor assina notificação de afastamento do cargo e garante que volta. Itamar Franco assume
“Desejo que este ato seja uma contribuição da nossa geração para o aperfeiçoamento da democracia”
27/10/1992 - Laudo incriminatório
Laudo policial sobre PC Farias incrimina Collor
“Arquivo do computador do ex-tesoureiro com a senha 'Collor' e manual sobre corrupção”
10/11/1992 - Acusado
Collor é acusado de 20 crimes
“Presidente tinha relações de 'amante argentina' com PC Farias”
27/11/1992 - Relatório
Relatório contra Collor é aprovado
“Caso do presidente afastado é de corrupção”
27/12/1992 - Manobra fracassada
Ministro Sepúlveda Pertence do STF nega liminar de Collor para adiar data de julgamento
“Fracassa última manobra de Collor no STF”
29/12/1992 - Renúncia
Collor renuncia. Itamar assume
STJ absolve Collor e PC
Veio a São Paulo disputar a Prefeitura pelo PRTB. Chegou a participar de debates, mas teve candidatura negada pela Justiça Eleitoral.







